O livro que não consigo ler!

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         Acabo de ver na novela uma personagem dizendo que ela está se afogando no oceano  dos seus sentimentos. Engraçado ouvir isso hoje e agora, pois é exactamente como eu me sinto, a afogar-me nesse turbilhão de sentimentos em que está o meu coração e a minha cabeça. Sei que não será desta, sei que vou sobreviver mais uma vez, mas a questão é: Como sairei dessa?
      Talvez a coisa não seja assim tão grave, temos uma tendencia, já quase um super poder, para alterar as situações e faze-las parecerem maiores do que realmente são. Ja diziam os mais velhos: Tudo na vida tem solução, excepto a morte. Mas cada vez que tento erquer a cabeça e olhar para a vida de forma positiva, sinto um peso no pescoso a tentar empurrar-me, a obrigar-me a olhar de novo para baixo. Muitas vezes eu cedo, a maior parte das vezes…
          Mas quero mudar, quero activar, quero despertar, quero não só nadar mas também boiar a superficie e aproveitar o momento.
      Tenho uma mistura de problemas, tenho aqueles que são praticos, como dinheiro para pagar a renda, dinheiro para pagar os estudos, dinheiro para sustentar a minha filhota, dinheiro, dinheiro e mais disso. A solução é tal qual o problema, também ela pratica. Preciso organizar-me para saber o que posso e aquilo que por enquanto não posso, e como poderei vir a poder. Seja o que for terei que esperar pelo dia 15 que é quando entra cai do salário. Nessa altura serei pratica: Envio dinheiro a familia, pago as contas que tiver que pagar. Adio o pagamento do cartão de crédito, pagarei apenas o montante minimo este mes. Queria comprar uma lista inteirinha de coisinhas para o cabelo, mas terá que ficar por isto mesmo, o verbo querer no passado, em vez disso farei tranças, não terei que me preocupar com o cabelo por um tempinho o que me fará não ter gastos por esta altura. Quanto as coisinhas para a casa que eu tanto queria, terão mesmo que esperar por melhores tempos, não vejo solução mais pratica do que isso.
      Quanto aos problemas não praticos, neste caso, os problemas do coração, mais uma vez, tais como os problemas as soluções também não são praticas, ou seja, não sei o que fazer. Sinto que se continuar, se ficar, estou a mastigar aos poucos o meu proprio coração, a imagem desse sentimento diz tudo, doi literalmente sentir o coração despedaçado. É um processo lento, uma dor constante, tenho medo que fique viciante. Não sei como reparar isso, tento manter o mesmo olhar do inicio, da lua de mel, aliás eu sinto que ainda estamos em lua de mel porque continuo a adorar tudo o que vejo, continuo a sentir o momento nas nuvens, o que mudou foi o regresso a casa. Eu quero mais, estou mais exigente, queria que o regresso a casa significasse a mesma casa, mas não, foi mais um regresso a realidade, ele regressou a familia, eu virei part-time, agora então, sou apenas alomoço no trabalho e fins de semana parciais. Por outro lado, se saio dessa, como fico? Já tentei antever e não vejo. Acho completamente injusto ter que me sacrificar, porque tenho eu que sofrer e chorar e descabelar-me? Será que não mereço essa felicidade aparente que muitos teem? Também quero tentar. Mas se já estou a sofrer talvez seja boa ideia saltar do barco antes que ele se titanique. Salvar o pouco que ainda resta de mim, tentar não afundar-me totalmente, nadar para a praia e esperar que venha alguém, que alguém descubra essa ilha deserta ou então não esperar, fazer a minha vida, sobreviver tal Tom Hanks no Naufrago. Sendo-vos sincera, eu não sei se depois desse baque eu quero enfrentar tão já a raça masculina. Acho que estão a sugar todas as minhas forças, não aguento mais, estou cansada. Estou honestamente cansada. Preciso dormir dos homens, não ve-los nem nos meus sonhos, experimentar um genero de Alice no Pais das Maravilhas apenas para mulheres. O que faço? Não estou a perguntar o que devo fazer, todas sabemos o que eu devo fazer, todas sabemos o que é correcto, mas estou a perguntar o que faço. Sei que estou a pedir uma boia de salvação, mas pode ser esse o teste, saber se eu consigo ter forças para nadar até a margem, não me deixar afundar, ver o mundo maior do que as minhas retinas, ver aquilo que eu posso, ver aquilo que é realmente importante. Odeio testes. Na minha terra se diz que o que não mata engorda. O que devo fazer para engordar e nao deixar me levar? Sei que a resposta está dentro de mim mas parece que não a consigo alcançar, não a consigo ler ou ouvir.